sábado, 12 de dezembro de 2015

Acrasia em Aristórteles

Acrasia em Aristórteles

A acrasia é um tema de conflito entre os comentadores de Aristóteles. Na obra de anima o pensador define a acrasia como o conflito entre desejos, em que o sujeito uma vez que define a sua ação é tomado por um desejo oposto e sem poder domina-lo cede a sua decisão anterior. Por exemplo, um sujeito com diabetes possui o desejo de manter a sua saúde, mas em um determinado momento é tomado pelo desejo incontrolado de comer um doce. Essa é a definição inicial de acrasia em Aristóteles. Na tradução da coleção os pensadores dos anos 70s acrasia é traduzida como incontinência. O Livro VII da ética a nicomaco é a parte da obra onde o filosofo mais trabalha o tema da acrasia. Nela o pensador reflete sob uma perspectiva dialética sobre o assunto. Vamos nos ater mais nas considerações deste capitulo da obra.
As disposições são um montante, onde encontram-se a virtude, o vicio e outras motivações para o agir. Aristóteles defende inicialmente que há três formas de disposições morais a qual devemos evitar, o vicio, a incontinência e a bruteza. Sendo assim a incontinência não é um vício mas deve possuir uma outra definição. A bruteza, é considerada pelo filosofo como algo sobre humano, ao qual o seu contrario são os atos heroicos e não realiza mais especulações sobre esta disposição. O contrario do vício é a virtude e da incontinência a continência. Como de práxis o filósofo primeiramente expõem as teses que existem sobre o tema;

O que já se sabe

1)    Tese comum: continente é aquele que se mantem reto em conformidade com as suas deliberações e incontinente é aquele que não consegue se manter reto.
2)    O incontinente sabe que o que faz é mal, mas mesmo assim o realiza. Enquanto que o continente é aquele que sabe que seus impulsos são maus e consegue dominalos.
3)    Qual é a diferença entre continência e temperança, incontinência e intemperança? São normalmente tratados como sinônimos,
4)    Os homens dotados de sabedoria prática são incontinentes? Sim ou não
5)    Os homens são incontinentes?

Perguntas

1)    Como um homem plenamente racional pode se tornar incontinente? Sócrates responde que isso ocorre por ignorância, ele acha que sabe, mas está em realidade tomado pela opinião (aparência). Sendo assim não existe para Sócrates a incontinência, mas apenas a ignorância, pois se o sujeito conhece a verdade do bem e é racional, suas ações se dirigiram apenas ao que é correto e bom. Aristóteles indaga; que é obvio que isso não é real, pois muitas vezes o sujeito conhece o mal, de uma ação, mas mesmo assim a realiza (ex: do diabético comendo bolo). Sendo Assim é necessário questionar qual é o tipo de ignorância que o incontinente possui?
Hipóteses

a)    O incontinente não possui conhecimento (sabedoria prática) quando é dominado pelos prazeres. Semelhante a compaixão emSchopenhauer a razão “desliga”.

2)    Se a incontinência é um apoderamento  que a razão não consegue segurar, por parte de maus impulsos. Então há uma diferença inconciliável entre temperança (possuir impulsos bom) e continência (segurar impulsos ruins), assim como intemperança (não possuir impulsos bons “!ou possuir maus impulsos” ) e incontinência que é não conseguir segurar maus impulsos.

3)    A continência é sempre boa enguanto que a incontinência é sempre ruim? A continência pode ser ruim se por meio dele o sujeito defende uma opinião ao invés de uma verdade. Aqui Sócrates diria que o sujeito está em erro e o defende por ignorância, mas o ponto é que para Aristóteles um individuo inteligente e racional pode defender uma opinião, por pensar ser ela uma verdade ex: a opinião de que a ditadura militar foi uma maravilha, enquanto que em verdade não foi. De um outro lado o incontinente, graças a sua impetuosidade pode “sem fundamento” (uma vez que a sua razão afirma que ex: a ditadura foi uma maravilha) sair da opinião e alcançar a verdade.

4)    Contudo é um argumento sofista esse em que impulsos são o que motivam a busca pela verdade e que a única coisa que se quer da mesma são os seus louros. O problema é que mesmo que o incontinente cheque a verdade, ainda assim o que é bom (vida sem ditadura) aparece para a sua razão é ruim (vida sem ditadura) Obs: acontece que o incontinente não planeja fazer as coisas que faz no momento em que é apetecido pela incontinência ex: o defensor da ditadura não pensa que ela é ruim, ele apenas momentaneamente se torna incontinente e defende a liberdade.

5)    O temperante (aquele que faz o que é correto, por uma disposição própria) é melhor do que aquele que escolhe o bem por via da incontinência? Obs para Aristóteles o temperante pode mudar caso esteja em erro, pois ele pode ser persuadido a tomar novas atitudes e progressivamente por força do habito escolher o que é correto (ex: liberdade), mas o intemperante não pode ser mudado

6)    A continência e a incontinência dizem respeito aos mesmos objetos do querer, ou não?   

Dificuldades

1)    O incontinente é consciente dos seus atos? Ciente em que sentido?

2)    O homem incontinente e continente são diferentes pelos objetos (tipos de prazeres por exemplo) ou por suas atitudes?

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